Gota a gota, o óleo cai sobre o pinhão. Com um impulso, empurro a catraca, que faz girar a roda. Aperto o freio. O outro. Ouve-se o som das rodas em contato com a brita: a minha magrela está pronta. Encosto-a no muro.
Aos poucos e cada vez mais elas se fazem presentes. Nas cidades, no campo, como transporte ou lazer. O pedal é democrático. Não discerne jovens de velhos, homens de mulheres. Ricos de pobres. Pouco importa se ela é esbelta, descolada ou ajeitada. Todas são magras. Só exigem esforço. O resto é no deixar ir. A bicicleta é isso: misto de dedicação com liberdade. Avança no ritmo perfeito. Nem muito devagar para não valer o suor, nem muito rápido ao ponto de perder a paisagem. Sobre duas rodas, você está à mercê do clima. Se é pela manhã, sente nos braços e pernas o fiozinho gostoso do fescor; à tarde, a umidade e o calor do dia. Se der sorte, pega chuva. Com céu aberto, você mergulha no azul porque está debaixo dele. Com a magrela não há molduras.
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