A escuridão profunda deteve-me ainda nos primeiros degraus, no topo da escada,
à espera de que a luz surgisse. O senhor que me acompanhava, provavelmente acostumado a andar naquele ambiente frio, úmido e escuro, seguiu em frente sem pestanejar. Quando a lâmpada foi acesa e a luminosidade trouxe de volta a visão,
pude então constatar a grandiosidade do ambiente em que estava entrando.
Construída entre 1910 e 1915, a primeira cave subterrânea do Brasil é o verdadeiro marco da produção de espumante no país. Sem exagero, nenhuma viagem que se proponha a mergulhar no mundo dessa refinada bebida pode começar em outro lugar
que não seja aqui, quinze metros abaixo do nível do solo, na vinícola Peterlongo, município de Garibaldi, na Serra Gaúcha. “Ele era um gênio”, afirma João Ferreira, o homem responsável por tentar reerguer a marca e a honra da mais antiga vinícola produtora de champanhe do Brasil, há décadas abalada pela fama associada à venda
de uma bebida de menor requinte, conhecida como espuma de prata.
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